Conexão entre investigações amplia o Caso Master, ligando CPMI do INSS e CPI do Crime Organizado
Em abril de 2025 teve início a Operação Sem Desconto, uma investigação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria Geral da União (CGU) que descobriu fraudes no INSS causando desvios de mais de R$ 6,3 milhões de aposentados e pensionistas desde 2019. Cerca de quatro meses depois, a Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela PF, revelou a infiltração do PCC no mercado financeiro, com lavagem de bilhões de reais em dinheiro ilícito através de postos de combustíveis e fundos de investimento.
Uma terceira investigação foi iniciada pela Polícia Federal, a Operação Compliance Zero, com o foco no Banco Master, que é suspeito de fraudes de pelo menos R$ 12 bilhões, incluindo o crédito consignado para beneficiários do INSS, lavagem de dinheiro e outros crimes. As investigações apontam para conexões entre o banco e uma facção criminosa por meio de uma rede de fundos.
Diante das suspeitas de envolvimento de políticos e agentes públicos, duas comissões parlamentares foram formadas para acompanhar essas investigações: a CPMI do INSS, composta por deputados e senadores, e a CPI do Crime Organizado, composta apenas por senadores.
Essas investigações têm sido destaque no noticiário político e policial com as comissões buscando conexões nos escândalos. O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, está preso desde março e negocia uma delação premiada com a PF e a PGR.
A CPMI do INSS foca nas suspeitas de fraude nos empréstimos consignados, enquanto a CPI do Crime Organizado investiga se as operações do banco estão ligadas a práticas de lavagem de dinheiro por facções criminosas.
Por que isso importa?
- A CPMI do INSS analisou mais de 2.200 requerimentos e avaliou fraudes que podem chegar a R$ 40 bilhões.
- A CPI do Crime Organizado busca investigar as ligações dos fundos suspeitos com políticos.
O Banco Master teria operado um amplo sistema de fraudes inflando os números do banco e desviando recursos. Uma das táticas envolvia ofertas de crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS. Nas triangulações complexas, grandes somas eram movimentadas para financiar a si mesmo.
A empresa PKL One, envolvida nas fraudes, estava ligada à rede de fundos administrada pela Reag. A CPMI do INSS aprovou a quebra de sigilos da PKL One, mas a medida foi suspensa por decisão judicial.
Na CPI do Crime Organizado, as quebras de sigilos da Reag e de outras empresas foram aprovadas para entender as ligações com o PCC. O ex-presidente da Reag negou conexão com a facção criminosa, alegando que o Master era apenas um cliente.
Prazo está se esgotando
As comissões têm pouco tempo para concluir as investigações. A CPMI do INSS deve encerrar suas atividades em breve, enquanto a CPI do Crime Organizado busca uma prorrogação. Há também um pedido para a abertura de uma terceira comissão específica sobre o Banco Master.
Conexões com as comissões parlamentares
O Banco Master foi mencionado em depoimentos na CPMI do INSS, levando à dissolução do banco e à prisão de executivos. A CPI do Crime Organizado também voltou sua atenção para o banco por suspeitas de envolvimento com o crime organizado.
Augusto Ferreira Lima, controlador do Banco Pleno, outro banco dissolvido pelo Banco Central, também foi investigado na Operação Compliance Zero sobre o Master.
Danilo Berndt Trento, investigado anteriormente pela CPI da Pandemia, volta a ser citado nas investigações das CPIs por transações suspeitas com empresas ligadas ao Master e ao PCC.
Ex-dirigentes do Master também estão na mira das comissões, assim como operadores financeiros do esquema, como o “Primo”. As investigações buscam desvendar conexões entre os bancos, facções criminosas e estruturas ilícitas.
Conclusão
As investigações em andamento apontam para uma rede complexa de fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master, políticos, facções criminosas e diversas empresas. As comissões parlamentares têm o desafio de desvendar essas conexões antes que os prazos se encerrem.
