As polêmicas envolvendo o banco Master e o ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal desde o Mensalão
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, assumiu, em dezembro de 2025, o inquérito que investiga um esquema de fraudes bilionárias no Banco Master, com destaque para Daniel Vorcaro. Desde então, uma série de decisões monocráticas sigilosas tem causado desconforto entre seus colegas no Supremo e surpresa na comunidade jurídica.
Toffoli centralizou a investigação na Corte, restringiu o acesso às provas e até designou os peritos da Polícia Federal que poderiam analisar o material apreendido, um procedimento considerado incomum. Essas ações geraram reações nos bastidores, com Toffoli tentando realizar uma acareação entre envolvidos e um diretor do Banco Central antes mesmo dos depoimentos serem colhidos.
Agora, o foco está em Tayayá, um resort de luxo em Ribeirão Claro, Paraná, onde Toffoli passou pelo menos 168 dias desde dezembro de 2022, custando R$ 548,9 mil em diárias para seus seguranças, pagas com recursos públicos. De acordo com o Metrópoles, o local foi utilizado para descanso e reuniões com políticos e empresários. Uma solicitação de impeachment foi feita por senadores em janeiro de 2026, acusando Toffoli de crime de responsabilidade em sua atuação no caso do Banco Master.
Nos bastidores do STF, Toffoli tem se mostrado inflexível, negando a existência de conflitos que o impeçam de atuar no caso Master e resistindo à ideia de deixar a relatoria, uma sugestão feita por alguns colegas para resolver a crise. Ele argumenta que ceder abriria um precedente, deixando outros juízes vulneráveis a pressões para abandonar casos importantes. Essa discussão expõe as regras sobre suspeição que, em geral, impedem um juiz de atuar quando há, por exemplo, uma relação íntima com um dos investigados sob sua jurisdição.
Por que isso importa?
- O ministro do STF, Dias Toffoli, tornou-se peça-chave do caso Master após assumir o controle do inquérito envolvendo o banco, além de tomar decisões consideradas “atípicas” pela comunidade jurídica.
O atual presidente do STF, Edson Fachin, divulgou uma nota defendendo tanto o tribunal quanto Toffoli das críticas sobre o caso Master. Ele afirmou que o STF “não se curva a ameaças ou intimidações” e que Toffoli atua de forma regular. Fachin destacou que eventuais questionamentos sobre procedimentos seriam analisados de acordo com os ritos internos. Em entrevista ao portal O Globo, afirmou que não fará julgamentos antecipados e poderá agir caso o colegiado seja chamado a analisar a condução do inquérito do Banco Master.
Resort, Libertadores e J&F
As conexões familiares de Toffoli com o resort mostram que dois de seus irmãos foram sócios até fevereiro de 2025. Parte dessa sociedade foi vendida a um fundo de investimento de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Master, revelou o Estadão. A empresa dos irmãos de Toffoli, sem participação na gestão desde 2025, tem sede em Marília, São Paulo. A esposa de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro, negou que ele tenha sido dono do resort.
Além disso, uma viagem de jatinho de Toffoli a Lima, Peru, para a final da Libertadores de 2025, onde um advogado do Banco Master estava presente. A viagem aconteceu um dia após Toffoli assumir o caso no STF. O jatinho é de Luiz Osvaldo Pastore, amigo do ministro, que foi visto chegando ao resort com o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual. O encontro teria ocorrido em janeiro de 2023.
Controvérsias também surgiram em dezembro de 2025, quando foi revelado que a ex-esposa de Toffoli, a advogada Roberta Maria Rangel, viu o número de processos em que atuava no STF e no STJ aumentar 140% desde que ele assumiu em 2009, passando de 53 para 127. A advogada tinha clientes importantes como o grupo J&F.
Mensalão e Perdão de Lula
Em 2019, Toffoli pediu perdão a Lula por uma decisão anterior em que negou ao ex-presidente o direito de ir ao velório de seu irmão. Indicado ao STF por Lula em 2009, Toffoli ocupou diversos cargos ligados ao PT antes de chegar à Corte. No caso do Mensalão, votou pela absolvição de José Dirceu, seu ex-chefe na Casa Civil, que acabou condenado pelos demais ministros. Anos depois, derrubou restrições impostas a Dirceu na Lava Jato.
Coaf, Flávio Bolsonaro e Movimento de 64
Uma decisão polêmica de Toffoli em 2019 suspendeu todas as investigações que utilizavam dados do Coaf sem autorização judicial prévia, prejudicando centenas de apurações, inclusive a que envolvia Flávio Bolsonaro por suspeitas de desvio de recursos. Toffoli ainda causou surpresa ao se referir ao golpe de 1964 como “movimento”.
