Retorno de pertences de Tenório Jr. à família marca fim de longo capítulo da Ditadura Argentina
Duas correntes de pescoço que pertenciam ao renomado pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior foram entregues à sua família como forma de homenagem, nesta quarta-feira, 25 de março. Tenório foi sequestrado e assassinado aos 35 anos em Buenos Aires, no dia 18 de março de 1976, em um crime atribuído ao terrorismo de Estado da ditadura argentina.
Filho das casas noturnas do Beco das Garrafas, Tenório foi um dos maiores pianistas brasileiros, colaborando com artistas como Milton Nascimento, Lô Borges, Gal Costa, Beto Guedes e Edu Lobo. Sua única gravação solo, “Embalo”, em 1964, é um marco em sua carreira.
Emocionada, Sofia Cerqueira Borges, neta do músico, mencionou que após 50 anos de ausência, os dois colares que estavam com seu avô retornaram à família. A entrega das correntes foi realizada durante uma cerimônia promovida pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, na sede da Procuradoria Regional da República da 2ª Região (RJ).
Identificação e restos mortais: “O corpo mesmo dificilmente será encontrado”
A trajetória de Tenório Jr. passou por um trágico desfecho em 1976, quando seu corpo foi encontrado com cinco perfurações de bala, em um terreno baldio na cidade de Tigre, ao norte de Buenos Aires. A identificação só foi possível recentemente, graças ao trabalho da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF).
Apesar da identificação, os restos mortais de Tenório ainda estão desaparecidos. A presidente da CEMDP mencionou que é improvável que o corpo seja encontrado e que, mesmo assim, para a família, essa descoberta é de extrema importância.
Quem matou Tenório Jr.?
Autorias diversas foram atribuídas ao crime ao longo dos anos, sendo a mais conhecida a que envolvia militares argentinos. Atualmente, acredita-se que o documento que incriminava esses militares possa ser falso, trazendo dúvidas sobre o caso. Com a identificação do corpo, uma investigação mais aprofundada será conduzida em relação à morte de Tenório e ao possível envolvimento de militares no crime.
O trágico destino de Tenório Jr. evidencia a brutalidade das ditaduras na América do Sul e reforça a importância de reconhecer e relembrar as vítimas desses regimes opressivos.
