Revelações de documentos mostram tensão e divergências entre EUA e ditaduras apoiadas.

Revelações de documentos mostram tensão e divergências entre EUA e ditaduras apoiadas.

A última visita de Nelson Aldrich Rockefeller ao Brasil ocorreu em 1969, quando o bilionário estava com 61 anos. Rockefeller, experiente nas relações latino-americanas, visitou o país diversas vezes, mas essa vez era a primeira visita à nova capital, Brasília. Após cinco anos do golpe de 1964, as relações entre Brasil e EUA não estavam tão amigáveis como poderia parecer. Rockefeller veio como emissário de Nixon para reafirmar a amizade entre os países.

Rockefeller mostrou entusiasmo por Brasília e comparou o projeto arquitetônico com o complexo gubernamental de Albany, em Nova Iorque. Acostumado com o Rio de Janeiro, ele se surpreendeu com a austeridade da capital onde foi recebido com formalidade e forte esquema de segurança. Nas reuniões com o presidente brasileiro, Costa e Silva, eles discutiram pontos de divergência, incluindo a invasão ao escritório da Associated Press e o golpe de 1964.

Costa e Silva enfatizou a lealdade do Brasil aos EUA, mas ao ser questionado por Rockefeller sobre violações de direitos humanos, ele justificou que a democracia podia esperar frente ao ataque comunista. No entanto, nos EUA, o Congresso pressionava pelo restabelecimento das liberdades democráticas no Brasil.

O livro “O Amigo Americano – Nelson Rockefeller e o Brasil” de Antonio Pedro Tota narra essa história. Ela destaca a tensão nas relações entre EUA e Brasil após 1964, mostrando que elas eram permeadas por desentendimentos e até conflitos.

A interação entre Rockefeller e Costa e Silva refletiu a dependência do Brasil dos EUA para apoio militar e econômico, revelando diferentes aspectos dessa relação pós-1964. A abertura de arquivos recentes reforça a participação dos EUA no golpe, evidenciando a complexidade dessas relações.

Documentos desclassificados comprovam a participação dos EUA

Documentos revelam que os EUA estavam prontos para intervir militarmente no golpe de 1964 caso as forças brasileiras fracassassem. Essa participação foi constatada por historiadores com novas documentações que mostram relatórios elaborados pelas agências norte-americanas durante a ditadura militar brasileira.

Em 2012, a Lei de Acesso à Informação e a Comissão Nacional da Verdade fortaleceram o processo de justiça de transição no Brasil. O projeto “Opening the Archives” digitalizou documentos sobre as relações entre EUA e Brasil, aprofundando a compreensão dessas interações.

A complexidade das relações Brasil-EUA exige uma leitura além do senso comum

A historiografia aponta vários aspectos das relações entre Brasil-EUA durante a ditadura, destacando a necessidade de uma análise detalhada de cada governo, programa e acordo para entender a complexidade dessas relações. Os EUA sempre tiveram grande influência no Brasil, evidenciada por financiamentos e parcerias de fundações privadas, empresas e políticas neoliberais.