Trump desafia a ciência em seu mais recente golpe contra o combate à crise climática

Trump desafia a ciência em seu mais recente golpe contra o combate à crise climática

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Desde que reassumiu a presidência dos Estados Unidos, Donald Trump tem adotado medidas para desmantelar as políticas climáticas e as regulações ambientais do país. No entanto, sua ação mais recente dizimou uma base fundamental para futuras ações de combate ao aquecimento global.

No dia 12 de fevereiro, Trump revogou o “endangerment finding”, reconhecimento científico de 2009 que alertava sobre os riscos à saúde pública e ao meio ambiente causados pelas emissões excessivas de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2) e metano.

Essa base permitiu ao governo dos EUA adotar políticas para regular as emissões de gases dentro do contexto da Lei do Ar Limpo, que exige o controle de poluentes perigosos. Agora, com a revogação, o arcabouço jurídico que sustentava as regulamentações para limitar as emissões de gases no setor energético e de transportes desaba, prejudicando não só o país, mas o mundo inteiro.

Sendo o maior emissor histórico de gases de efeito estufa, os EUA, sob o governo Trump, caminham rapidamente na direção oposta, aumentando suas emissões em vez de reduzi-las, num momento crucial para conter o aquecimento global. A revogação compromete as medidas recentes de incentivo às energias renováveis e aos carros elétricos, minando conquistas importantes.

Essa ação contradiz anos de pesquisas que comprovam os impactos adversos das emissões excessivas de gases de efeito estufa, que contribuem para eventos climáticos extremos e ameaçam a saúde pública, a economia e a segurança alimentar. Trump, ao negar esse cenário, coloca em risco o futuro do planeta.

Após a revogação, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA celebrou a ação, argumentando que traria economia para montadoras e empresas. No entanto, análises indicam que os custos dos eventos climáticos extremos superam em muito supostas economias, destacando a urgência de ações efetivas contra as mudanças climáticas.

A expectativa é que haja uma série de processos judiciais contra a medida, com críticos apontando que a decisão beneficia as grandes petrolíferas em detrimento da comunidade e do meio ambiente. Organizações de saúde pública e ambiental já entraram com ações legais contra a revogação do “endangerment finding”.

Enquanto os desafios legais seguem em curso, as emissões de gases de efeito estufa nos EUA continuam aumentando, representando uma ameaça global. A decisão de Trump, mesmo suscetível a contestações judiciais, reforça a importância de se buscar soluções eficazes para combater as mudanças climáticas.