“Glauber e Motta: embate político em meio à turbulência democrática”
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A tentativa de Hugo Motta de esconder a cena desligando o sinal da TV Câmara e expulsando os jornalistas do plenário revela sua truculência e sua falta de habilidade para lidar democraticamente com a situação que ele mesmo criou.
Motta provocou a confusão com pautas políticas surpresa – como o projeto de lei para salvar Bolsonaro e duas cassações de deputados – e depois usou a força contra os parlamentares, incluindo a deputada indígena Célia Xakriabá (PSOL-MG). Além disso, censurou a imprensa, chegando a desligar a TV pública, que tem como objetivo dar transparência à Casa dos representantes do povo.
Apesar das comparações feitas no noticiário entre o gesto do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) e o motim anterior da extrema direita, é importante destacar que as motivações, alcance e consequências foram bastante diferentes. Ambos envolveram a usurpação da cadeira do presidente da Câmara, mas as situações foram distintas, como denunciou o próprio deputado do PSOL.
O motim da direita foi um espetáculo transmitido ao vivo, durando mais de 40 horas, com o objetivo de protestar contra uma decisão do STF e buscar anistia para Bolsonaro. Nenhum dos envolvidos foi punido. Já o gesto de Glauber Braga foi uma reação à votação de sua cassação por quebra de decoro parlamentar e à votação surpresa de um projeto casuístico que poderia beneficiar Bolsonaro.
O episódio culminou em uma votação vergonhosa na madrugada, liderada por Hugo Motta, demonstrando seus atos autoritários. A violência utilizada para remover Glauber Braga da cadeira expôs a injustiça no tratamento dos aliados e adversários políticos, assim como a defesa duvidosa de Motta em relação à direita, beneficiando projetos polêmicos e condenados por crimes.
Enquanto aguardamos a votação do Senado para o desfecho deste episódio vergonhoso, mais um golpe à democracia é assimilado, mostrando a cooperação entre a extrema direita, o centrão e Hugo Motta. Glauber pode ter sido suspenso, mas expôs a falta de imparcialidade e a atitude autoritária do presidente da Câmara, que se despiu da imagem de democrata perante a opinião pública e a história do país.
