Futuro incerto para ação contra mineração ilegal em Minas sob sigilo supremo de Toffoli
Neste mês de setembro de 2025, a Operação Rejeito foi iniciada, visando um grupo de empresários da mineração e membros dos governos de Minas Gerais e federal, suspeitos de crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro. Wallace Alves, líder do Sindicato dos Servidores Estaduais do Meio Ambiente de MG (Sindsema), expressou sua surpresa e confirmação ao pensar: “a gente não estava doido”.
Por anos, o sindicato recebeu denúncias de funcionários públicos sendo perseguidos por tentarem fazer cumprir as leis ambientais. Alves relatou que certas diretrizes tecnicamente insustentáveis eram emitidas de cima para baixo, após reuniões secretas com empresários, levando a situações constrangedoras. Estava evidente que algo sério ocorria, segundo Alves.
Entre os alvos da operação estavam ex-chefes de Alves, como Rodrigo Franco e Fernando Baliani, suspeitos de aceitar propina para conceder licenças ambientais ilegais para mineradoras como Gute Sicht, Fleurs Global e Empabra.
A operação resultou na prisão de diversos suspeitos, incluindo ex-diretores da Agência Nacional de Mineração, empresários e um ex-deputado estadual, todos acusados de participar de uma organização criminosa, de acordo com a PF.
A esperança de que a operação revelasse a verdadeira extensão do problema entre os funcionários foi substituída por preocupação após a descoberta de menções a autoridades com foro privilegiado nos inquéritos policiais. Além disso, o sigilo sobre o inquérito foi ampliado ao máximo, sob decisão do ministro Dias Toffoli.
Posteriormente, algumas prisões foram revogadas, com instruções para o uso de tornozeleiras eletrônicas e proibição de saída do país, apesar de parecer contrário do procurador-geral da República e da manutenção da investigação em sigilo.
As mineradoras envolvidas burlaram a legislação ambiental com propinas milionárias, lucrando consideravelmente com a prática. A influência dos empresários sobre órgãos reguladores foi evidenciada, causando preocupações com corrupção sistêmica no setor de mineração e meio ambiente em Minas Gerais.
As ações reveladas pela operação demonstraram a extensão do problema, evidenciando a presença da chamada “máfia da mineração” nas esferas de poder. A deputada federal Duda Salabert destaca a preocupação com a soltura dos líderes do esquema e sua contínua influência.
Moradores próximos à Serra do Curral sentiram os impactos da mineração ilegal por vários anos, com poeira tóxica, trânsito de caminhões e ruídos de explosivos. A importância da operação Rejeito foi destacada pelo impacto na revelação da corrupção no setor visível para moradores.
Apesar das solturas e do sigilo imposto ao caso, a operação foi significativa para trazer à tona a corrupção percebida por muitos, confirmando que os esquemas corruptos não eram meras especulações.
