Pesquisadora alerta para aumento do risco de desinformação nas eleições de 2026 com uso de IA

Pesquisadora alerta para aumento do risco de desinformação nas eleições de 2026 com uso de IA

As eleições no Brasil são marcadas por um cenário de desinformação que vem se intensificando, principalmente com o uso crescente da inteligência artificial (IA). A incorporação da IA generativa na produção e verificação de informações políticas tem gerado preocupações quanto à disseminação de conteúdos falsos. Pesquisas recentes apontam que metade dos usuários de WhatsApp no país já utilizaram alguma ferramenta de IA, o que evidencia a rápida disseminação dessas tecnologias.

Além disso, muitos usuários afirmam ter recebido conteúdos políticos produzidos com IA sem saber, o que levanta questões sobre a transparência e autenticidade dessas informações. Com a proximidade das eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem ampliado seus mecanismos de combate à desinformação, exigindo a rotulagem de conteúdos sintéticos e responsabilizando candidatos e partidos pelo uso de deepfakes.

Entretanto, especialistas apontam que ainda existem limitações na fiscalização de campanhas informais e redes de apoio não oficiais, o que torna desafiador lidar com a combinação entre desinformação e IA nas eleições. A diretora de Pesquisa e Operações do InternetLab, Heloisa Massaro, destaca que a chegada da IA generativa aprofunda um ambiente já saturado de informações e desconfianças.

O uso da IA generativa nas eleições de 2026 pode se dar de diversas formas, tanto para consumo de informações políticas quanto para a produção de materiais de campanha. Embora as tecnologias de IA possam trazer benefícios, também há o risco de disseminação de conteúdos falsos, o que contribui para a desconfiança generalizada no debate público.

O desafio de distinguir conteúdos falsos de verdadeiros torna-se ainda maior com a popularização dos deepfakes, levando à erosão da confiança nas instituições e no debate político. A disseminação estratégica da dúvida, inclusive por meio de influenciadores, páginas orgânicas e redes de apoio informal, contribui para a manipulação de narrativas e disputas políticas.

A legislação eleitoral brasileira avançou nos últimos anos, mas ainda há desafios relacionados à regulação de campanhas que utilizam IA indiretamente, bem como influenciadores e páginas não oficiais. A coordenação e responsabilização nessas campanhas representam um grande obstáculo, uma vez que conteúdos não controlados pelas campanhas podem impactar sua reputação.

Diante desses desafios, a preparação para lidar com a desinformação e a IA nas eleições de 2026 ainda apresenta lacunas. A regulação de plataformas digitais e a discussão sobre o uso ético e transparente da inteligência artificial são essenciais para mitigar os impactos negativos dessas tecnologias no processo eleitoral.