‘Trump, Bolsonaro e o legado autoritário do Brasil: reflexões do The Washington Post’
O início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus do “núcleo crucial” da tentativa de golpe é tema de destaque no jornal The Washington Post (WP), renomado veículo dos Estados Unidos. De acordo com o The Post, esse julgamento marca um marco na história política do Brasil, sendo a primeira vez que uma tentativa de subverter a ordem institucional é levada a julgamento. Além disso, há também uma tensão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que buscou interferir no processo com sanções contra o país e o relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o historiador Carlos Fico, especialista em questões militares do Brasil, essa situação marca um momento inédito. A historiadora Lilia Schwarcz também ressalta a simbologia desse julgamento ao quebrar um pacto de silêncio sobre os militares no país, que nunca foram responsabilizados pelos crimes cometidos durante a ditadura militar.
O Washington Post salienta que o processo ocorre em um momento de crescente tensão entre o Brasil e os Estados Unidos, iniciada por ações do presidente Donald Trump. Houve um aumento de hostilidades desde maio, quando o secretário de Estado americano, Marco Rubio, mencionou possíveis sanções contra Alexandre de Moraes. Essas tensões se agravaram em julho, quando Trump criticou as medidas adotadas contra Bolsonaro, anunciou tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e revogou vistos de autoridades. Moraes também foi sancionado com base na Lei Magnitsky.
As ações dos Estados Unidos contra o magistrado foram antecedidas por uma campanha internacional de bolsonaristas contra ele, que se intensificou com a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro no primeiro semestre deste ano. Essa campanha teve início em 2024, após embates entre Moraes e Elon Musk. Apesar da pressão dos EUA, o processo penal continuou sem interrupções. A imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros afetou o andamento do processo, com Moraes interpretando as tarifas como tentativa de coação e estabelecendo medidas cautelares a Bolsonaro. Em agosto, depois de desobedecer as restrições de uso de redes sociais, o ex-presidente teve prisão domiciliar decretada.
Alexandre de Moraes reforça o compromisso em entrevista ao The Washington Post, destacando que o processo seguirá de acordo com a análise das provas e a justiça será feita. O jornal ressalta a determinação do Brasil em prosseguir com as acusações, mesmo diante das pressões internacionais, destacando a indiciamento de Bolsonaro e seu filho por envolvimento.
