Ativos nas Redes em 2026, Alvos de Investigação por Desinformação e Tentativa de Golpe

Ativos nas Redes em 2026, Alvos de Investigação por Desinformação e Tentativa de Golpe

Recentemente, novas contas e perfis de indivíduos sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm compartilhado conteúdos virais relacionados às eleições deste ano. A Agência Pública identificou dez influenciadores digitais que estão sendo investigados por desinformação ou por tentativas de golpe em pleitos anteriores, todos ainda ativos na campanha para 2026. Essas pessoas já enfrentaram ações da Justiça, mas a validade dessas decisões é incerta, dado que os processos permanecem em sigilo.

Entre esses indivíduos, ao menos quatro se encontram foragidos e têm disseminado informações enganosas a partir do exterior.

Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como “Leo Índio” e primo do candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, é um dos alvos. Ele está sob investigação por sua participação na tentativa de golpe em 2023 e teve sua prisão decretada em 2025 após ser localizado próximo à fronteira com a Argentina. Além disso, Leo foi acusado de se beneficiar de um esquema de rachadinhas ligado ao gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PL) em 2019, quando relatos indicaram que o chefe de gabinete pagou o aluguel de seu imóvel.

Residente em Puerto Iguazú, na Argentina, Leo gerencia um perfil no Instagram onde divulga vídeos criados por inteligência artificial sobre a política brasileira. Um exemplo é uma deepfake publicada em 9 de agosto, onde Lula é mostrado recebendo dinheiro de seu filho. Outro vídeo traz deepfakes do militante Renan Santos e outros membros do Movimento Brasil Livre em uma sauna.

Esses conteúdos são compartilhados por uma rede composta por pelo menos 31 páginas dedicadas à criação de materiais sintéticos. O Partido dos Trabalhadores (PT) já denunciou essa rede no TSE devido aos ataques direcionados ao presidente Lula (PT). A ação judicial indica que a rede conta com mais de 1,4 milhão de seguidores e acumula cerca de 23 mil publicações com milhares de visualizações no Instagram. A Federação Brasil da Esperança solicitou a remoção das contas e multas por propaganda antecipada e uso inadequado da inteligência artificial. Este caso ainda está em fase inicial e foi atribuído ao ministro Kassio Nunes Marques.

O blogueiro Oswaldo Eustáquio também enfrenta acusações relacionadas à associação criminosa dentro da mesma investigação sobre o golpe ocorrido em 8 de janeiro de 2023. Enquanto estava foragido na Espanha — país que negou sua extradição em dezembro de 2025 — ele colaborou com páginas que produzem conteúdos políticos gerados por inteligência artificial.

Eustáquio tem trabalhado com a página “Dona Maria”, uma influenciadora criada por IA que publica vídeos atacando o governo federal e defendendo Jair Bolsonaro (PL). Um dos vídeos afirma erroneamente que o criador do PIX foi o ex-presidente, apesar da verdade ser que essa ferramenta foi desenvolvida pelo Banco Central.

Em abril passado, essa conta enfrentou um processo no TSE relacionado a campanha antecipada.

Quando contatado pela reportagem, Oswaldo declarou: “O PIX foi uma iniciativa do Banco Central durante o governo Bolsonaro. Essa é uma verdade inquestionável. O perfil Dona Maria possui rótulo de IA; criticar esse perfil é querer brigar com a tecnologia.”

Outro blogueiro foragido ativo na disseminação de desinformação sobre as eleições brasileiras é Allan dos Santos. Ele vive nos Estados Unidos e possui um mandado de prisão preventiva emitido pelo STF desde outubro de 2021. Considerado foragido pela Justiça brasileira, suas contas bancárias e perfis digitais foram bloqueados. Allan enfrenta diversas investigações, incluindo inquéritos sobre fake news e milícias digitais devido à propagação de informações falsas e ataques a autoridades.

Apesar disso, ele conseguiu criar novas páginas nas redes sociais onde continua veiculando conteúdos enganosos sobre o processo eleitoral. Recentemente, publicou alegações sobre uma suposta interferência dos EUA nas eleições brasileiras, sugerindo até uma ação militar contra instituições do país. Em um post datado de 13 de julho, ele escreveu: “Vai logo, Trump! Pegue o Lula!”, acompanhado por uma montagem mostrando o presidente brasileiro vendado.

No ano anterior, uniu-se ao também foragido Alexandre Ramagem – ex-chefe da Abin durante o governo Bolsonaro e condenado a 16 anos pelos crimes relacionados à organização criminosa armada – realizando transmissões ao vivo diárias no canal extremista TimeLine sob sua propriedade.

Diversas vezes os investigados espalharam desinformação sobre as eleições brasileiras; entre essas falsas alegações estão associações fraudulentas entre as urnas eletrônicas brasileiras e a empresa Smartmatic, acusada injustamente na Venezuela. Em um tuíte postado em 16 de junho, Allan afirmou que as urnas seriam “inauditáveis”, informação categoricamente falsa já que os equipamentos passam por rigorosos procedimentos auditórios antes e depois das eleições. Em outro vídeo compartilhado em 10 de junho, ele insinuou que Lula só vence devido às urnas eletrônicas.

Yasmin Curzi, professora pesquisadora em direito digital na FGV Rio, acredita que a localização dos influenciadores fora do Brasil pode dificultar as ações judiciais brasileiras contra seus conteúdos nas redes sociais. “A eficácia das decisões judiciais depende da cooperação internacional”, ressalta.

Conteúdos persistem também em território nacional

Dentro do Brasil, outros influenciadores já alvo das decisões do STF e TSE continuam ativos na campanha para 2026.

Fernando Lisboa da Conceição, conhecido como youtuber Vlog do Lisboa, não apenas mantém perfis nas redes sociais como foi oficialmente registrado como candidato a deputado estadual pelo PL paulista. Em seus canais oficiais junto ao TSE, ele divulga vídeos insinuando invasões ao Brasil e prisões do presidente Lula pelas autoridades americanas.

Ele já havia concorrido no pleito anterior para deputado federal pelo mesmo partido em São Paulo. Naquela ocasião, reportagens revelaram que recebeu R$ 200 mil em recursos públicos destinados à campanha para impulsionar anúncios nas redes sociais onde veiculava conteúdos enganosos.

Neste ano ele tem repercutido falas de políticos americanos sobre o Brasil e suas eleições questionando inclusive a segurança das urnas eletrônicas. No final do ano passado chegou a defender a proibição dessas máquinas nas eleições dos EUA. Em julho último publicou resultados manipulados sobre pesquisas feitas por aliados de Trump insinuando que o Brasil estaria na mira americana sem registro no Tribunal Superior Eleitoral.

Bárbara Zambaldi Destefani também está sendo investigada pelo TSE devido à disseminação de desinformação acerca do processo eleitoral; suas contas foram banidas como parte do inquérito referente à tentativa de golpe ocorrida em janeiro passado. A investigação permanece aberta mas sob sigilo. Em junho deste ano reativou seu canal “Te Atualizei” no X , Instagram e YouTube além manter um aplicativo próprio.

Em seus canais ela frequentemente critica decisões do STF enquanto defende intervenções dos EUA no Brasil além da possibilidade de impeachment dos ministros dessa corte superior brasileira; num vídeo recente revelou uma imagem gerada por IA mostrando Alexandre Moraes encarcerado observada por Donald Trump e Elon Musk.

Suas postagens também utilizam táticas para compartilhar conteúdos “privadamente”, como convites para comentar “FAMÍLIA” para acessar vídeos secretos da Família Te Atualizei.

Após essa publicação Bárbara Destefani afirmou à Pública que nunca foi investigada por financiar atos antidemocráticos; sua resposta completa está disponível ao final da matéria.

Ela ainda defendeu suas publicações pedindo impeachment contra Alexandre Moraes dizendo ser este um procedimento previsto na legislação brasileira sujeito aos mecanismos constitucionais pertinentes.
    

Além disso afirmou: “não corresponde à realidade afirmar ou insinuar que eu defenda uma intervenção americana no Brasil; meu trabalho consiste em comentar fatos amplamente documentados pela imprensa”.

Bárbara negou ter apoiado qualquer golpe estatal mencionando ser apenas uma charge a imagem gerada por IA onde aparecia Alexandre Moraes preso; “O uso satírico como forma crítica possui longa tradição no debate público brasileiro não deve ser confundido com práticas ilícitas”.

Enzo Leonardo Suzi Momenti conhecido como Enzuh tem sido investigado pela CPMI das Fake News bem como pelo Inquérito das Fake News resultando na apreensão judicial de suas redes sociais bloqueadas anteriormente.

Contudo atualmente seu canal apresenta alta frequência na divulgação teórica conspiratória relacionada ao dia oito janeiro levantando conjecturas acerca da segurança das urnas eletrônicas enquanto realiza frequentes ataques ao STF especialmente contra Alexandre Moraes; frequentemente repercute declarações polêmicas feitas por Donald Trump sobre o Brasil além mencionar possíveis impeachments contra ministros dessa corte utilizando manchetes sensacionalistas com publicações diárias superiores a três conteúdos novos.

Em 15 agosto publicou conteúdo afirmando erros cometidos durante auditorias nos equipamentos eleitorais fato falso pois não foram detectadas falhas nas etapas auditórias até agora.

Enzo respondeu afirmando: “todas minhas redes estão desbloqueadas meu nome está limpo”; ainda complementa estar sob investigação há sete anos sem entender os motivos disso; quanto ao vídeo comentou ser clickbait autoexplicativo destacando “inclusive incentivo sim as pessoas irem votar…”.

Os perfis Brasileirinhos associado Eduardo Fabris Portella assim como Dr Marcelo Frazão permanecem ativos discutindo política nacional sob investigação referente inquérito número 4874 ligada atos antidemocráticos ocorridos em dois mil vinte um; já Rafael Moreno dono perfil Roboconservador integra inquérito das fake news usando seu espaço para alavancar candidatura Bárbara Kogos (NOVO-SP) para deputada federal..

Para Curzi a persistência desses perfis pode ser atribuída pela escalabilidade dos conteúdos gerados: “Suspender contas não resolve estruturalmente o problema da desinformação visto que tal volume continua aumentando agora amplificado pela inteligência artificial generativa”, avalia especialista..

Ela acrescenta ainda que muitas vezes cumprimento judicial pelas plataformas ocorre falho: “geralmente removem apenas algumas contas mantendo outras sem transparência adequada” menciona..

Desde decisão proferida pelo STF revisando artigo dezenove Marco Civil junho passado plataformas não necessitam autorização judicial remover conteúdo antidemocrático ar alegam serem responsáveis omissão caso não adotem medidas necessárias evitando proliferação desse tipo material.”

A reportagem consultou Meta responsável Instagram Facebook Google responsável Youtube quanto ações combate desinformação eleitoral colaboração TSE ; resposta plataforma vídeo Google confirmou atuar conformidade legislação local cumprindo ordens judiciais válidas emitidas tribunais competentes incluindo STF TSE mas não comenta casos específicos apuração enquanto Meta limitou-se encaminhar link informativo abordagem plataforma frente essas eleições onde firmaram parceria autoridades intensificando ações contra uso indevido imagens candidatos figuras públicas .

Perfis mencionados foram contatados nossa reportagem espaço permanece aberto manifestações opiniões..