Bolsonaristas buscam refúgio em pelo menos quatro nações para escapar da Justiça
Flávio Bolsonaro (PL) pode se tornar o mais recente membro do grupo de apoiadores de Jair Bolsonaro que optaram por deixar o Brasil. Se sua presença nos Estados Unidos for confirmada, o ex-candidato derrotado nas eleições de 2026 se juntará a familiares, influenciadores e ex-integrantes do governo Bolsonaro que deixaram o país, muitas vezes citando perseguição política como justificativa.
A informação foi divulgada pelo site argentino Infobae, que reportou hoje, 27 de outubro, que Flávio estaria em Puerto Iguazú, cidade na fronteira com o Brasil, se preparando para embarcar em um voo para os EUA. A forma como o senador teria cruzado a fronteira para chegar ao país vizinho ainda não é clara. No dia 26 de outubro, um dia após sua derrota nas urnas, o ministro Alexandre de Moraes ordenou que Flávio entregasse seu passaporte à Justiça.
Um dos argumentos utilizados por Moraes para a decisão foi uma declaração de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, feita dois dias antes do segundo turno das eleições. Na entrevista, Eduardo sugeriu que o então candidato deveria considerar deixar o país em caso de derrota. Nesse mesmo dia, o blogueiro Paulo Figueiredo revelou em uma transmissão ao vivo que aconselhou Flávio a ir para os EUA logo após a confirmação da derrota.
Atualmente, Flávio Bolsonaro enfrenta investigações em duas frentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Com o término de seu mandato como senador previsto para 31 de janeiro de 2027, ele perderá seu foro privilegiado. Sob a supervisão do ministro André Mendonça, Flávio é investigado por suspeitas relacionadas à evasão de divisas e lavagem de dinheiro vinculado ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a vida de Jair Bolsonaro. As investigações focam nos repasses realizados por Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.
Em outra linha investigativa conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, Flávio é alvo de apurações sobre possíveis práticas de lavagem de dinheiro através de uma casa de apostas. A Polícia Federal (PF) acessou os dados telemáticos do advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador, e encontrou e-mails indicando que Flávio era cadastrado como “usuário master” em uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, pertencente a Tomaz.
De acordo com informações da PF, existem indícios que relacionam Willer Tomaz ao controle ou propriedade efetiva da Rede Loto, a primeira organização autorizada pela Loterj no Rio de Janeiro para operar apostas no estado.
Bolsonaristas nos EUA de Trump
Eduardo Bolsonaro reside no Texas (EUA) desde março de 2025 e foi condenado pelo STF em junho de 2026 devido à sua atuação na busca por sanções americanas contra autoridades brasileiras. O ex-deputado teve sua prisão decretada em outubro daquele ano durante o período entre os dois turnos das eleições.
Detentor de passaporte italiano e com um green card, documento que assegura residência permanente nos EUA, Eduardo tem realizado várias viagens ao Oriente Médio e até fundou uma empresa no Bahrein.
Paulo Figueiredo, considerado um aliado próximo nos Estados Unidos, vive na Flórida há uma década. Ele é alvo de investigações no Inquérito das fake news e foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por supostas tentativas golpistas ocorridas em 8 de janeiro de 2023. Embora seu caso nunca tenha sido julgado devido à falta de intimação formal, ele é tratado como foragido.
Outro indivíduo foragido residindo na Flórida é Allan dos Santos. Seu mandado de prisão preventiva foi expedido pelo STF em outubro de 2021 e reafirmado em 2024; suas contas bancárias e perfis digitais foram bloqueados no Brasil. Fundador do já extinto “Terça Livre”, Allan também está sendo investigado no Inquérito das fake news e por milícias digitais devido à disseminação de informações falsas e ataques direcionados a autoridades.
Alexandre Ramagem também vive na Flórida; ele é ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e já exerceu função como deputado federal pelo PL. Após ser condenado pelo STF a 16 anos por envolvimento em um esquema golpista, ele enfrentou pedidos de extradição.
Sua fuga ocorreu em setembro de 2025 com auxílio do empresário Rodrigo Cataratas, condenado por liderar atividades ilegais relacionadas ao garimpo na Terra Yanomami. Cataratas também se encontra foragido por ajudar Ramagem a escapar.
Em abril de 2026, Ramagem foi detido pelo serviço migratório dos EUA (ICE), mas liberado dois dias depois. Atualmente considerado imigrante ilegal segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), ele corre risco constante tanto da detenção quanto da deportação.
Bolsonaristas na Argentina, Itália e Espanha
Na Itália, Carla Zambelli, uma ex-deputada federal brasileira, foi presa em junho de 2025. Em maio do ano seguinte, ela obteve liberdade após decisão da Corte Suprema italiana. Condenada pelo STF brasileiro a dez anos pela contratação irregular de um hacker para inserir um mandado falso contra Alexandre de Moraes no sistema do Conselho Nacional da Justiça (CNJ), seu caso gerou grande repercussão.
Na Espanha reside Oswaldo Eustáquio, blogueiro considerado foragido pela Justiça brasileira desde 2023. Ele se tornou réu por associação criminosa relacionada às tentativas golpistas ocorridas em 8 de janeiro durante outubro deste ano. Em junho do ano passado, as autoridades espanholas negaram pedido brasileiro para extraditá-lo sob alegações políticas.
Leonardo Rodrigues de Jesus — conhecido como Leo Índio — primo dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro também está sob investigação relacionada ao golpe ocorrido em 2023; sua prisão foi decretada em 2025. Ele reside atualmente na cidade argentina Puerto Iguazú — local onde Flávio teria passado antes da viagem aos EUA — sendo um dos alvos ativos nas redes sociais sobre desinformação até 2026.
Além disso, cinco brasileiros condenados pelos ataques golpistas realizados em janeiro foram extraditados pela Argentina em dezembro desse ano: Joelton Gusmão Oliveira, Joel Borges Correa, Rodrigo Freitas Moro, Wellington Firmino e Ana Paula Souza.
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