Parentes de réu por garimpo na terra Yanomami financiaram a vida de Ramagem nos Estados Unidos
“Oi Pri, boa noite. Você poderia me enviar uma conta do apartamento de vocês em nome do meu pai? Água, luz, telefone, internet… Estamos planejando tentar conseguir a carteira de motorista do Alexandre amanhã no DMV”, é o conteúdo da primeira mensagem. Em seguida, ele complementa: “Elaborei um contrato aqui para que ele leve como se tivesse alugado o quarto. Vamos ver como isso se desenrola”.
Essas comunicações via WhatsApp são parte da investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sobre a fuga de Alexandre Ramagem para os Estados Unidos em setembro de 2025. As mensagens foram enviadas por Celso Rodrigo de Mello, filho de Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, para a esposa de seu pai em 15 de setembro. Cataratas foi sentenciado em fevereiro deste ano a mais de 16 anos de prisão por chefiar uma organização criminosa dedicada à mineração ilegal de cassiterita e ouro na Terra Indígena Yanomami. A resposta de Priscila Freitas de Melo foi apenas um “Oi. Vou verificar aqui”. O DMV refere-se ao departamento estadual responsável pelo trânsito na Flórida.
Os diálogos fazem parte de um conjunto de mensagens, fotos e anotações recuperadas do celular de Priscila, aos quais a Agência Pública teve acesso. Esses registros mostram que a família Cataratas ofereceu suporte material e hospedagem a Ramagem imediatamente após sua chegada à Flórida, enquanto este estava foragido do Brasil. A investigação contou com a colaboração do ICIJ, Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) durante a administração Bolsonaro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 11 de setembro de 2025 a 16 anos por tentativa de golpe contra o Estado. Os ministros concluíram que ele usou a estrutura da Abin para monitorar opositores e apoiar o plano golpista do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na mesma ocasião, perdeu seu mandato como deputado federal (PL-RR) e também foi destituído do cargo na Polícia Federal. Antes da condenação, em 21 de novembro, o STF já havia determinado sua prisão preventiva devido à suspeita de fuga. Ele permanece foragido da Justiça brasileira.
A família Cataratas está sendo investigada por supostamente ter auxiliado na fuga de Ramagem do Brasil através do município Bonfim, em Roraima, que faz fronteira com Lethem, na Guiana, em 9 de setembro de 2025. Após cruzar para a Guiana, Ramagem embarcou em um voo para os Estados Unidos e teria chegado ao país no dia 11 do mesmo mês, conforme informações da PF. Desde junho daquele ano, Ramagem estava impedido de deixar o Brasil devido a uma ordem cautelar imposta por Moraes, que também o obrigou a entregar todos os seus passaportes.
O ex-diretor da Abin chegou a ser detido pelo ICE (Serviço de Imigração dos EUA) devido a uma infração no trânsito; no entanto, foi liberado após dois dias com intervenção direta da Casa Branca. Ele solicitou asilo alegando “perseguição política” e o ICE afirmou que ele poderia aguardar os procedimentos legais em liberdade.
A reportagem não conseguiu contato com Alexandre Ramagem, Rodrigo Cataratas ou Celso Mello para obter comentários sobre os fatos apresentados. O espaço permanece aberto para qualquer manifestação.
“Nosso amigo Ramagem”
De acordo com as conversas analisadas, Priscila atuava como principal intermediária entre a família e a gestão do Condomínio Sole Mia, onde Ramagem ficou hospedado durante três meses. Em 17 de setembro ela enviou uma mensagem pedindo um “cartão de acesso” ao estacionamento. Na mensagem endereçada à administradora do condomínio, ela se referia a Ramagem como um “amigo nosso” – dela e do marido à época, Rodrigo Cataratas.
“Estou escrevendo para solicitar gentilmente um cartão novo para o portão, visto que infelizmente perdemos o original destinado ao nosso apartamento. Como estamos viajando, não conseguiremos retirá-lo pessoalmente. Por isso autorizamos nosso amigo Alexandre Rodrigues Ramagem a coletar o novo cartão por nós”.
Esse pedido visava resolver uma situação que Ramagem enfrentou logo ao chegar nos EUA: Celso estava contestando multas atribuídas ao “amigo” por estacionar indevidamente no Sole Mia.
O Sole Mia é considerado um residencial luxuoso até mesmo pelos padrões elevados de Miami. Os moradores podem desfrutar das comodidades como piscina e um lago artificial com área total superior a 28 mil metros quadrados com areia e coqueiros plantados ao redor; além disso há campos esportivos diversos e áreas recreativas para crianças e adultos. O apartamento que pertence à família Cataratas possui 96 m² distribuídos em dois quartos e dois banheiros; conta ainda com uma ampla varanda com vista para o lago exuberante e cozinha equipada com eletrodomésticos modernos em inox. O aluguel mensal gira em torno dos 20 mil reais (aproximadamente 3,7 mil dólares).
Em 17 de novembro, Rebeca Ramagem e suas filhas chegaram também à Miami e ficaram no apartamento dos Martins de Mello. Antes disso, Rebeca havia sido abordada pela PF no aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro; seu celular e computadores foram apreendidos porém ela conseguiu continuar sua viagem normalmente.
Para as autoridades policiais brasileiras, Cataratas assim como Priscila e Celso tiveram um “papel central na manutenção clandestina” da presença de Alexandre Ramagem na Flórida; viabilizando sua moradia em um condomínio luxuoso enquanto ajudavam-no a enganar as autoridades americanas usando documentos falsos para conseguir obter sua carteira de motorista.
As informações reveladas aumentam as complicações enfrentadas pelo grupo ligado ao deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA que promove ações contra investigações relacionadas aos eventos ocorridos em 8 janeiro deste ano. Desde sua chegada nos EUA Alexandre Ramagem tem apresentado o programa Revista Timeline no YouTube junto com Allan dos Santos onde Eduardo é frequentemente convidado especial. Além disso participa ativamente dos eventos promovidos pela extrema direita americana junto ao filho número dois Jair Bolsonaro.
Estão sendo investigados os financiamentos realizados por Eduardo nos EUA desde que surgiram indícios apontando que ele teria dado orientações sobre captação e uso financeiro proveniente do filme Dark Horse; financiado através da contribuição feita pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro através da Entre Investimentos – empresa acusada por lavagem financeira.
Nesse contexto agora fica evidente que as atividades continuadas dos Ramagem na Flórida estão ligadas à indivíduos vinculados a outros grupos criminosos envolvidos em diversas práticas ilegais ambientais.
Crimes contra os Yanomami e Amazônia
Rodrigo Martins de Mello foi sentenciado em fevereiro deste ano a mais de 16 anos por liderar uma organização criminosa dedicada à mineração ilegal dentro da Terra Indígena Yanomami explorando cassiterita e ouro. Rodrigo Cataratas era responsável pela logística utilizando helicópteros adulterados para realizar o transporte tanto das pessoas quanto dos insumos necessários à operação ilegal. Seu filho Celso também foi condenado recebendo pena equivalente a oito anos pela participação na gestão financeira desse esquema criminoso; ambos estão recorrendo das decisões judiciais enquanto permanecem soltos.
Cataratas enfrenta ainda acusações relacionadas ao financiamento da destruição intencional pertencente ao Ibama além da invasão das instalações do órgão ambiental responsável no estado Roraima tentando destruir um helicóptero como represália às operações realizadas contra garimpos ilegais em 2021; igualmente responde penalmente por extração ilegal nesse contexto dentro da Operação Forja Efestos buscando reparações financeiras pelos danos causados por extração ilícita proveniente terras indígenas.
Rodrigo Cataratas junto aos filhos Celso e Priscila são alvo também das investigações conduzidas pelo STF devido ao auxílio prestado na fuga clandestina rumo à Guiana feita por Ramagem; Celso chegou ser preso temporariamente em Manaus durante dezembro passado mas atualmente responde às acusações mediante uso cautelar eletrônico.Foi solicitado esclarecimento ao STF mas este alegou sigilo processual tornando impossível fornecer maiores detalhes sobre essa questão específica.
“Normalmente organizações voltadas ao garimpo operam com familiares próximos nas suas atividades ilícitas”, explica Alisson Marugal procurador federal atuante no MPF-Roraima fazendo referência à atuação familiar dos Martins De Mello nas atividades exploratórias nas terras Yanomami; “não só causaram danos irreparáveis ao ecossistema mas também deterioraram consideravelmente as condições físicas dos povos indígenas locais.” As cenas impactantes mostradas globalmente retratavam crianças desnutridas sendo socorridas emergencialmente revelaram-se símbolos diretos das consequências advindas dessa exploração ilegal; entre os anos 2018 até 2022 foram documentadas pela Sumaúma cerca de 570 mortes infantis entre as populações indígenas devido condições sanitárias evitáveis resultantes desse contexto criminoso.
“A exploração garimpeira alcança regiões remotas onde comunidades vulneráveis ainda sem contato adequado são atingidas rapidamente”, observa Marugal destacando como essa atividade compromete tanto recursos hídricos quanto vegetação local vital; “os garimpeiros quando chegam pagam aos indígenas permitindo assim instalação dessas operações criminosas gerando dependência econômica deles mesmos.”
Os efeitos devastadores incluem não apenas poluição hídrica mas deterioração rápida nas condições básicas saúde pública dentro dessas comunidades afetadas levando profissionais médicos afastarem-se progressivamente dessa realidade empobrecendo ainda mais essas áreas críticas entre os anos críticos mencionados anteriormente.” conclui Marugal enfatizando o quadro caótico vivido pelas populações.”
Atualmente investigações feitas pelo MPF-Roraima estão focadas na possibilidade real genocídio envolvendo povos indígenas Yanomami devido invasões sistemáticas promovidas por garimpeiros entre os períodos citados previamente enquanto tornaram-se evidentes operações usando até mesmo aeronaves específicas direcionadas exclusivamente às atividades extracivas ilegais dentro desses territórios indígenas afetados.”
Meses antes da condenação Rodrigo Cataratas anunciou planos políticos visando concorrer ao Senado (PRD-RR); mudou-se posteriormente para Guiana onde segue atuando nas atividades mineradoras ilegais promovendo inclusive anúncios publicitários indicando que traria retroescavadeiras para lá num projeto avaliado inicialmente em dez milhões dólares levantando preocupações locais acerca possíveis impactos socioambientais decorrentes dessa atividade.”
Apagando rastros
Meus amigos!
A vida da família catarinas na Florida
– Uma nova vida ! –
***
Também é importante ressaltar que esta nova fase traz desafios significativos.
A mudança pode ser difícil.
– No entanto!
Com determinação se pode superar tudo!
Vamos juntos nessa jornada!
Todos nós precisamos uns dos outros.
Portanto!
– Não hesitem!
***(Confiem uns nos outros!)*
*Precisamos nos apoiar mutuamente!*
***(Amigos!)*
Juntos somos mais fortes!
*Vamos construir algo maravilhoso juntos!*
