Eduardo Bolsonaro funda empresa no Bahrein utilizando passaporte italiano

Eduardo Bolsonaro funda empresa no Bahrein utilizando passaporte italiano

No dia 30 de janeiro deste ano, Eduardo Bolsonaro compartilhou uma imagem ao lado do Príncipe Herdeiro e Primeiro-Ministro do Reino do Bahrein, Sheik Salman bin Hamad Al Khalifa, e seu irmão Flávio Bolsonaro (PL), que é candidato à presidência. Os dois irmãos estavam vestidos com os trajes tradicionais da região. Eduardo comentou: “No mundo árabe, a candora é o que o terno e gravata representam aqui. Usar roupas típicas vai além da estética; é uma questão de respeito. A diplomacia é construída por meio de gestos que promovem confiança, proximidade e resultados concretos para o Bahrein e o Brasil.” Ele expressou ainda sua intenção de assumir o Ministério das Relações Exteriores caso Flávio vença as eleições no próximo domingo.

Acompanhado por Paulo Figueiredo e pelos deputados federais Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), Eduardo fazia parte da comitiva oficial do candidato. Durante a viagem, houve um tour pelo palácio real e uma participação em um festival de corridas de cavalos organizado pela monarquia local.

Contudo, um aspecto que não foi mencionado por Eduardo em sua postagem no Instagram é a relação mais profunda que ele possui com o Bahrein.

Uma investigação revelou que ele havia registrado uma empresa no Bahrein voltada para consultoria em gestão. A The Next Level LLC foi aberta em 19 de setembro de 2024, operando oficialmente por pouco mais de um ano antes de encerrar suas atividades em setembro do ano passado, devido à falta de renovação do registro como companhia limitada. O investimento inicial na empresa foi em torno de R$ 130 mil.

Um detalhe interessante é que Eduardo registrou a empresa como cidadão italiano. Tanto ele quanto seu irmão Carlos possuem passaportes italianos, herdados dos ancestrais da família Bolsonaro na cidade de Anguillara Veneta, localizada no norte da Itália.

Essas informações podem intensificar as polêmicas sobre o desejo de Eduardo em assumir a liderança do Itamaraty e conduzir a diplomacia brasileira. Além disso, levantam questionamentos sobre a possibilidade dele ter aberto outras empresas no exterior como cidadão italiano em vez de brasileiro.

Eduardo Nantes Bolsonaro, cujo nome aparece no Portal de Registro Comercial (SIJILAT) no Bahrein como ورانوسلوب ستنان ودراودإ, não respondeu aos questionamentos acerca da finalidade da empresa que abriu.

A criação da The Next Level LLC coincide com o período em que ele e Flávio estavam angariando fundos para produzir o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro que recebeu investimentos de US$ 13 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio conheceu Vorcaro durante uma reunião virtual em dezembro de 2024, e nos meses seguintes Fabiano Zettel passou a supervisionar o repasse dos valores em parcelas aproximadas de US$ 2 milhões. Esse foi um tempo marcado por intensa mobilização para conseguir apoio ao projeto familiar.

Em maio deste ano, Mário Frias Filho (PL-SP), deputado federal e produtor do filme detentor dos direitos sobre a vida de Bolsonaro – conforme revelado anteriormente – acompanhou Eduardo em uma nova visita ao Bahrein entre os dias 12 e 18. Segundo Frias, essa viagem ocorreu a convite do Conselho de Desenvolvimento Econômico do país (EDB).

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De acordo com levantamento feito pela jornalista Juliana Dal Piva na coluna ICL Notícias, Eduardo Bolsonaro visitou o Bahrein pelo menos nove vezes desde 2019. Quatro dessas viagens ocorreram durante o governo Jair Bolsonaro. As três visitas subsequentes coincidiram com momentos críticos relacionados à pressão judicial do STF contra o ex-deputado federal.

A mais recente missão ocorreu no dia 8 de outubro, entre os turnos das eleições. Ele voltou a se encontrar com o Sheikh Salman bin Hamad Al Khalifa e também teve conversas com o ministro da Economia e Finanças para discutir parcerias econômicas e comerciais. 

As fotos dessa visita foram tiradas no mesmo dia em que o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou sua prisão sob acusação de coação durante processo judicial devido ao lobby realizado junto ao governo Trump visando retaliações contra o Brasil. Além disso, Moraes ordenou também a suspensão dos passaportes de Eduardo. 

O ex-deputado está foragido da justiça brasileira e utilizou seu passaporte italiano para entrar no Bahrein, onde postou vídeos criticando o ministro do STF enquanto circulava livremente pelo aeroporto tanto no Bahrein quanto nos EUA.