Venezuela se levanta após terremotos: “Toda assistência é bem-vinda

Gabriel Serrano faleceu no edifício Tanamar, localizado em Tanaguarenas, La Guaira, Venezuela, enquanto tentava proteger seu filho de 10 anos. O garoto presenciou sua mãe, Karín Paola Pestano, cair em uma fenda que se formou devido aos terremotos que atingiram o país na última quarta-feira, 24 de junho. O menino foi encaminhado ao Hospital Periférico de Catia La Mar e agora está sob os cuidados de seus avós.

Gabriel era um profissional de tecnologia da informação ligado à Universidade Nacional Experimental das Artes de Caracas e também era meu colega. Tragicamente, essa narrativa se repete inúmeras vezes, com homens perdendo suas famílias inteiras e mulheres sofrendo a dor da perda de um ou mais filhos.

Pedimos ajuda para pressionar os militares a mobilizarem urgentemente as máquinas pesadas que costumam ser vistas nos desfiles do ‘Los Próceres’ [monumento na capital venezuelana] para apoiar o estado de La Guaira. É crucial um grande esforço com equipamentos pesados para remover os escombros”, afirmou Rolda Alfredo Silva, morador do bairro Tanaguarena e que está prestando auxílio aos vizinhos.

“Desde ontem estamos retirando corpos; neste momento, estamos resgatando uma menina. Na madrugada passada, conseguimos salvar dois adultos: uma mulher de 45 anos e um homem de 65. Estamos orando para que ainda haja mais três sobreviventes. […] Agradecemos qualquer ajuda que puderem nos oferecer”, disse ele à Agência Pública.

Importância da situação

  • O governo da Venezuela informa que mais de 900 pessoas perderam a vida devido aos terremotos ocorridos na quarta-feira passada.
  • As Nações Unidas estimam que o número de desaparecidos em decorrência do desastre já ultrapassa 50 mil indivíduos.

Após os tremores principais, que atingiram magnitudes de 7,2 e 7,5 na Escala Richter, foram registrados mais de 302 tremores secundários. Um relatório recente divulgado pelo governo de Delcy Rodríguez nesta sexta-feira, 26, revela que ao menos 920 pessoas faleceram e outras 2.980 ficaram feridas. O país está sob estado de emergência nacional. Diosdado Cabello, ministro do Interior e figura proeminente do governo venezuelano, anunciou um aumento no contingente militar no estado de La Guaira, passando de 4.200 para 11.500 soldados na área mais afetada pela tragédia humanitária.

No Parque do Oeste Alí Primera em Caracas, a secretária responsável pela proteção da infância e adolescência local desmentiu rumores nas redes sociais sobre a presença de entre 300 e 500 crianças órfãs sozinhas nesse espaço público. A informação é falsa; não há crianças sem acompanhamento no local.

“Hoje percebi o valor de ser venezuelano”

Na prefeitura de Chacao, estado de Miranda, muitos voluntários de diversas etnias, credos religiosos e classes sociais se uniram para ajudar os afetados pela tragédia. Saturno Troccóli é cirurgião geral e ginecologista entre esses voluntários. Nesta área da cidade, tanto o governo federal quanto o estadual estão oferecendo suporte. Diante da calamidade, ele comentou: “Hoje percebi o valor de ser venezuelano”, ao observar a solidariedade demonstrada por todos.

Luialexka Rojas é estudante de medicina na Universidade Central da Venezuela e faz parte dos 84 voluntários que estabeleceram uma plataforma online para localizar pacientes internados e relatar emergências médicas. Ela explicou à Pública que “estamos coletando informações sobre todas as unidades hospitalares que atendemos e inserindo esses dados na interface” para facilitar a busca das famílias sem necessidade de procurar em cada hospital individualmente. Assim como muitos voluntários, Luialexka enfrentou um colapso emocional no primeiro dia; precisou descansar por várias horas antes de conseguir continuar seu trabalho no dia seguinte.

As unidades responsáveis pela diálise enfrentaram problemas em suas conexões com a estação responsável pela osmose reversa em Caracas; contudo, segundo a médica Dubraska Carrero, diretora Nacional de Nefrologia do Instituto Venezuelano de Seguridade Social, esse problema foi resolvido. “Em La Guaira, toda a estação de osmose reversa desabou junto com seus reservatórios. Estamos aguardando soluções para outros problemas pendentes; felizmente alguns já foram sanados. Precisamos manter a calma; existem pacientes em situações críticas além do que imaginávamos”, comentou Carrero.

“Assumindo meu papel como profissional da saúde mental”

Cristhian Orna é psiquiatra com 44 anos e reside em Caracas; ele confirmou à reportagem que sua clínica particular está elaborando um plano emergencial para fornecer atendimento gratuito aos afetados: “Estamos diante uma crise nacional muito intensa”, destacou.

Ele estava no El Sambil, maior shopping center do país quando viu pessoas correndo e paredes se rachando enquanto havia incerteza se era um atentado ou um terremoto real. Sua família reside em Calabozo, cidade situada a quatro horas da capital onde também ocorreram danos significativos. Ao chegar em seu apartamento encontrou “praticamente todos os vizinhos fora do prédio” temerosos quanto ao colapso da estrutura. Atualmente existem acampamentos em Caracas e nas regiões adjacentes onde milhares pernoitam nas ruas.

O psiquiatra observou que as reações às experiências sísmicas variam bastante entre as pessoas.“Crianças, idosos e aqueles com problemas preexistentes são [mais] suscetíveis; pessoas ansiosas ou deprimidas vivenciam essas situações com maior intensidade”, avaliou.

“Os expatriados também estão sofrendo as consequências disso tudo. Ninguém pode estar realmente preparado para essa situação”, afirmou o médico ao recomendar manter o equilíbrio emocional e evitar decisões impulsivas baseadas em sentimentos como medo ou excitação.

Pessoas desaparecidas

Poucas horas após os tremores devastadores, o Sistema Pátria – utilizado pelo governo para distribuição financeira – ativou uma opção para reportar danos materiais e notificações sobre pessoas desaparecidas. As estatísticas relacionadas ainda não foram divulgadas publicamente. Iniciativas comunitárias estão registrando pessoas desaparecidas em dois sites distintos que mostram números entre 24 mil e 52 mil indivíduos ainda não localizados.

O evento sísmico teve início com um tremor inicial de magnitude 7,2 na costa central da Venezuela às 18h04 conforme dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O epicentro estava localizado aproximadamente a 24 quilômetros da cidade San Felipe no estado Yaracuy e cerca de 200 km a oeste da capital Caracas. Trinta nove segundos depois ocorreu outro tremor com magnitude 7,5 nas proximidades do município Yumare.

Ativistas pelos Direitos Humanos se pronunciam

Martha Lía Grajales é uma ex-presa política colombo-venezuelana atuante na defesa dos direitos humanos; ela acredita que “dada a imensidão dos danos que enfrentamos juntamente com as capacidades institucionais limitadas atuais do governo”, as ações oficiais têm sido insatisfatórias até o momento. “É necessário equipamento adequado para facilitar tanto a remoção dos escombros quanto o resgate das vítimas”, declarou ela.

Os entrevistados concordaram que não há justificativa para a inação governamental frente à catástrofe; porém destacaram como fatores aggravantes a crise econômica severa enfrentada pelo país junto às sanções internacionais impostas à Venezuela que enfraqueceram substancialmente sua capacidade institucional.

Carlos Julio Rojas é jornalista e defensor dos direitos humanos; ele afirmou que o sistema destinado ao auxílio das vítimas é extremamente precário. O prédio onde reside na região central Caracas sofreu danos consideráveis devido aos tremores; mesmo assim os serviços civis como Defesa Civil e bombeiros estão agindo com recursos limitados para ajudar quem ficou preso nos escombros lutando por sobrevivência.Rojas acredita firmemente que o Estado não estava preparado para enfrentar essa calamidade; muitas famílias estão desesperadas por ajuda rápida. Ele espera que recursos destinados à assistência humanitária sejam geridos por instituições independentes como igrejas ou universidades sob supervisão internacional visando evitar corrupção.

Em 1999 ocorreu um deslizamento conhecido como Tragédia de Vargas cuja extensão humanitária ainda não foi completamente documentada até hoje. Em resposta à tragédia ocorrida anteriormente neste ano (3 janeiro), houve bombardeios direcionados contra infraestruturas civis incluindo prédios residenciais bem como unidades médicas essenciais como as destinadas à diálise;

Apoio internacional incerto diante das necessidades crescentes

A Venezuela está emitindo um pedido urgente por apoio internacional devido à necessidade crescente por equipes médicas adicionais assim como máquinas pesadas no estado La Guaira onde os efeitos foram mais severos após os terremotos duplos ocorridos recentemente variadas iniciativas têm surgido incluindo envio imediato auxílio humanitário proveniente diversos países.

Conforme afirmado pelo governo brasileiro um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) partiu São Paulo na última quinta-feira dia25de Junho levando consigo equipes especializadas focadas busca-resgate sendo composta por profissionais experientes dentre eles bombeiros provenientes Minas Gerais Paraná São Paulo além disso planeja-se enviar outro voo equipado montar hospital campanha.

Outros países também manifestaram apoio através declaração envio recursos adicionais incluindo México El Salvador República Dominicana Chile Equador Espanha Suíça conforme relatado pela jornalista Anahí Arismendi durante conversa realizada Pública .

O governo americano anunciou suspensão temporária sanções financeiras impostas Venezuela tendo objetivo permitir facilitação envio recursos destinados assistências operações busca-resgate reconstrução áreas afetadas desastre natural ocorrido recentemente mencionou presidente interina Delcy Rodríguez esteve presente La Guaira entretanto Vladimir Villegas Poljak jornalista membro Assembleia Nacional Constituinte ex-ministro Relações Exteriores acredita evidências concretas controle situação permanecem ausentes evidenciando fragilidades presentes políticas públicas destacadas anteriormente Tragédia Vargasele observa nenhuma ajuda efetiva proveniente Estados Unidos apesar anúncio pacote US$150 milhões voltado enfrentamento crise humanitária relacionada desastre ocorrido .

Lições polêmicas associadas recentes tragédias sísmicas

Poljak expressa convicção moderada considerando políticas públicas resposta desastres permanecerem estagnadas administração atual assim atual cenário apenas continuidade grave problema resultante falta manutenção preventiva corrupção associada gestão pública respectivamente

Após responder questionamentos apresentados Pública , ele finalizou afirmando “preciso descansar estou exausto!” Poljak junto colegas jornalistas Anahí Arismendi dezenas outros profissionais têm trabalhado incansavelmente durante primeiras horas manhã Rádio União Caracas assegurando fluxo informações precisas sobre eventos impactantes população local .

A deputada Ruth Conde Conselho Legislativo Estado Miranda informou Pública que seguimento Partido Socialista Unido Venezuela (PSUV) ordem estabelecida Hugo Chávez permanece poder formal país portanto declarações estavam restritas questionamentos ela simplesmente respondeu “Nada zero declarações estamos focados outras questões apoiar cidadãos muitos mortos realmente devastador.”

Por outro lado deputada Ilenia Medina alinhada Partido Pátria Todos identificada chavismo ironicamente indagada sobre possíveis mudanças políticas públicas apontou “Mudança governo?”

Um alto funcionário governamental conversou anônimo reportagens afirmando “não estávamos preparados… impossível atender demanda emergencial envolvendo250 prédios colapsados requerendo equipamentos especializados deveriam existir estruturas apropriadas teoria incluindo milícias sistemas defesa territorial órgãos comando abrangentes comunas etc mas realidade prática pouco efetivo”. Pista pouso Maiquetía parcialmente danificada sendo mencionada esta fonte utilizável momentos críticos porém inapta atividades civis regulares .

“População incapaz compreender razões persistem dificuldades enfrentamento contínuo não apenas consequência gestão corrupta falsificadora processos eleitorais mas igualmente inércia estatal ausência resposta apropriada” declarou María Alejandra Díaz Marín advogada especialista direitos humanos doutoranda Segurança Nacional .

Díaz Marín levantou inquietações questionando “Onde encontram-se navios anfíbios utilizados Chávez durante Tragédia Vargas? Onde militares helicópteros auxiliando população La Guaira?” . De fato presença forças armadas insuficiente evacuando vítimas milhares situação vulnerável dentro escombros .

Advogada enfatiza ausência planejamento público mesmo sabendo trata-se zona sismicamente ativa “Situação crítica resulta falhas estruturais implementação comandos forças especiais venezuelanas atuação cidadãos tanto interior exterior país”.

Vídeos circulam redes sociais evidenciando clamor popular abandonado suplicantes socorro retirar familiares sobreviventes mortos dentre destroços “Estados Unidos anunciaram impossibilidade acesso Aeroporto Maiquetía pretendendo implantar operação militar agora justificativa perfeita invadir território alegação desastre natural isso reflete Doutrina Copenhague” alertou Díaz Marín referindo-se Escola Copenhague justifica intervenções soberania nacional crises globais .

Grajales categoricamente afirma ““situação crítica deve servir pretexto contínuas operações forças militares EUA nosso solo isso não pode justificar intervenção controle violação autodeterminação povo venezuelano “.

Para muitos venezuelanos primeiros meses ano2026 parecem eternidade traumatizada atentados janeiro seguidos terremotos junho últimos dias .