Flávio Bolsonaro elogia Trump, mas sua história levanta suspeitas sobre crime organizado
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Um trágico acidente automobilístico resultou na morte de quatro pessoas em uma estrada nas proximidades das fronteiras dos estados de Chihuahua e Sinaloa. Este incidente, ocorrido no final de abril deste ano, trouxe à tona uma operação clandestina da CIA em solo mexicano. Entre os falecidos estavam dois agentes da “Agencia Estatal de Investigaciones Chihuahua” e dois membros da CIA, cujas identidades foram reveladas dois dias após o evento.
O embaixador dos Estados Unidos tentou minimizar a situação ao descrever os agentes como funcionários diplomáticos. No entanto, as investigações indicam que os quatro estavam retornando de uma missão conjunta destinada a desmantelar um laboratório de drogas — uma atividade que não havia sido previamente informada ou autorizada pelo governo de Claudia Sheinbaum, conforme exigido pela legislação do país.
Esse episódio representa mais um caso de violação da soberania por parte de organizações criminosas consideradas terroristas pelos EUA. Embora não seja o mais grave — especialmente quando comparado a incidentes ocorridos na Venezuela —, é notável pela repercussão que pode gerar. Flávio Bolsonaro, por exemplo, fez comentários provocativos ao presidente Trump sobre a explosão de uma embarcação na costa colombiana, sugerindo que o mesmo poderia ocorrer na Baía da Guanabara.
Flávio Bolsonaro conseguiu promover a ideia de que convenceu Trump a classificar as facções CV e PCC como organizações terroristas. Essa narrativa se alinha com sua postura subserviente exibida em fotos com o presidente americano. Embora não tenha havido divulgação oficial sobre o encontro pela Casa Branca, parece que o grupo liderado por Marco Rubio alcançou seus objetivos. Assim, Flávio pode reforçar sua imagem como aliado de Trump e defensor rigoroso contra o crime organizado, algo que certamente impacta sua campanha.
Em suas declarações a Trump, Flávio demonstrou cautela ao omitir as milícias da lista de organizações criminosas. Essa escolha é intrigante, considerando os laços questionáveis entre sua família e esses grupos nos últimos anos — evidências disso podem ser encontradas no caso Queiroz e nas investigações sobre práticas ilícitas nos gabinetes dos Bolsonaro.
O verdadeiro problema enfrentado por Flávio não parece estar relacionado ao crime organizado em si; suas relações com Daniel Vorcaro são um indicativo disso. O Brasil inteiro testemunhou Flávio pedir dinheiro a um empresário sob investigação por liderar uma organização criminosa responsável pela pilhagem de 3,7 bilhões de reais dos fundos previdenciários dos servidores públicos no Rio de Janeiro, com assistência do ex-governador Cláudio Castro.
Castro também foi flagrado recebendo vantagens financeiras substanciais do empresário Vorcaro e estava acompanhado por outros aliados do senador em negócios que desviaram recursos das aposentadorias para um banco sem garantias. Além disso, há indícios do irmão Eduardo envolvido no caso Master – relacionado ao financiamento de um filme por Vorcaro e à origem dos recursos que sustentam seu estilo de vida nos Estados Unidos.
O ex-governador fluminense ainda enfrenta complicações relacionadas ao escândalo da Refit, empresa que disfarçava atividades ilícitas enquanto importava combustíveis e acumulava dívidas fiscais. Segundo a Polícia Federal (PF), Castro direcionou esforços significativos da administração pública para favorecer o conglomerado dirigido por Ricardo Magro após a interdição da refinaria em setembro do ano passado.
Este empresário protegido por Castro é acusado pela PF de ser o maior sonegador fiscal do Brasil e possui supostas ligações com o PCC mencionado por Flávio Bolsonaro. Apesar de ser alvo da Interpol e residir há anos nos Estados Unidos, ainda não foi encontrado pelas autoridades. Se Trump realmente estivesse interessado em combater o crime organizado, poderia começar por ele; essa foi a mensagem transmitida pelo presidente Lula em uma ligação feita a Trump no final do ano passado.
“Comuniquei ao Trump que estamos prontos para colaborar no combate ao crime organizado”, afirmou Lula em dezembro de 2025. “Aproveitei para mencionar que um dos maiores chefes desse tipo de crime brasileiro mora em Miami e é importador de combustíveis fósseis. Se ele desejar ajuda, podemos começar prendendo esse indivíduo.” Lula também sugeriu a possibilidade de extraditar Alexandre Ramagem, condenado pelo envolvimento em uma trama golpista orquestrada pelo pai de Flávio Bolsonaro.
A encenação protagonizada por Trump e Flávio Bolsonaro como defensores do combate ao crime organizado tem implicações severas para a soberania brasileira. Além disso, essas ações podem ter repercussões significativas para toda a América Latina, ajudando a concretizar os planos ambiciosos de Trump e Marco Rubio para reverter os avanços democráticos na região — desde Cuba até o Cone Sul. Independentemente das consequências futuras, essa campanha se torna cada vez mais relevante na luta entre democracia e autoritarismo.
