Líder do garimpo clandestino, Rodrigo Cataratas, possui propriedades e negócios de alto padrão nos Estados Unidos
Rodrigo Cataratas, um conhecido garimpeiro ilegal no Brasil, mantém uma presença chamativa nas redes sociais. Apesar de ter sido condenado em primeira instância por liderar atividades de garimpo na Terra Indígena Yanomami, ele acumula mais de 43 mil seguidores no Instagram, onde promove a exploração mineral, solicita anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (atualmente preso por tentativa de golpe) e critica o governo do Partido dos Trabalhadores.
No entanto, Rodrigo Martins de Mello – seu verdadeiro nome – se mostra bastante reservado em relação a outros aspectos de sua vida, especialmente quando se trata de seus bens luxuosos e suas operações comerciais nos Estados Unidos, país que ele visita desde os anos 90. Recentemente, surgiram razões para essa cautela.
Em dezembro de 2025, a prisão preventiva de Cataratas foi ordenada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Ele é acusado de facilitar a fuga de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro e condenado pela trama golpista. A negativa do habeas corpus solicitada por Cataratas ocorreu na última terça-feira (19/10), com informações divulgadas pela Agência Pública. A ministra Carmem Lúcia mencionou que o mandado ainda não havia sido cumprido devido à dificuldade em localizar o acusado até aquela data. O pedido de prisão preventiva só se tornou público nesta semana, uma vez que o processo ocorre sob sigilo judicial.
Neste momento, suas redes sociais estão inativas. “Ele desapareceu”, informou um ex-sócio comercial situado nos EUA à Pública.
Uma investigação realizada em conjunto pela Pública e pelo ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) revelou detalhes sobre a vida e os negócios do empresário ligado ao garimpo ilegal nos Estados Unidos. Ele registra-se como eleitor Republicano na Flórida – onde somente cidadãos americanos podem votar – e possui empresas registradas sob seu nome e o de familiares e parceiros. As atividades empresariais localizadas na Flórida incluem aluguel de iates, demolição e comércio eletrônico.
Entre as empresas associadas a Cataratas está a X One Charters LLC, estabelecida em 10 de julho de 2023 e registrada no endereço do condomínio Sole Mia em Miami. Esse local foi onde Cataratas hospedou Ramagem em setembro de 2025, conforme revelado pela Pública. Os documentos fundacionais indicam que Cataratas era originalmente o proprietário da empresa; no entanto, após a solicitação da prisão preventiva em janeiro de 2026, os registros foram alterados para excluí-lo como sócio, agora sendo Marcos Felix Ribeiro quem ocupa a posição de diretor.
Embora oficialmente Ribeiro seja o atual proprietário da empresa, o número do WhatsApp listado no site pertence ao próprio Rodrigo Cataratas.
A criação da X One Charters ocorreu enquanto Cataratas era apontado pelo Ministério Público Federal como um dos líderes responsáveis por um grupo criminoso envolvido em garimpo ilegal e degradação ambiental na Terra Indígena Yanomami. Ele recebeu uma pena totalizando 16 anos de prisão e uma multa de R$ 31 milhões; no entanto, recorreu da decisão e permanece em liberdade.
De acordo com seu site, a X One Charters oferece o aluguel do iate homônimo por valores que variam entre R$ 500 mil e R$ 1,2 milhão por algumas horas nas águas de Miami. O iate conta com acomodação completa: quarto, sala, cozinha e área externa para lazer. “Uma embarcação confortável com assentos amplos e acomodações luxuosas. Cabine espaçosa com ar-condicionado e banheiro. Sistema sonoro Premium com Bluetooth para entretenimento e tapete aquático para nadar enquanto aprecia a vista deslumbrante do horizonte de Miami”, descreve o site disponível em inglês, espanhol ou português. As imagens mostram grupos desfrutando das águas azuladas da Flórida.
Durante as mudanças feitas nos registros em janeiro de 2026, também houve alteração no endereço da X One Charters; agora está localizada em um rancho chamado Sunniland Ranch com 34 acres pertencente ao mesmo Marcos Felix Ribeiro. Em entrevista à Pública, Ribeiro confirmou ter realizado transações comerciais com Cataratas em um projeto minerador na Guiana. Ele alegou que recebeu o iate como pagamento por uma escavadeira deixada no país sul-americano — uma troca estimada em cerca de R$ 500 mil (US$ 100 mil).
“Eu peguei esse barco que na realidade é um pesadelo porque está vazando óleo; manter uma embarcação assim aqui custa cerca de US$ 15 mil em multas. Tive que retirar este trambolho da água e vai sair ainda mais caro”, declarou.
Ribeiro relatou à Pública que conheceu Cataratas quando ele frequente estava nos EUA por volta de 2022. Rodrigo Martins teria visitado seu rancho devido à pista particular para pousos localizada lá — algo que se conecta à experiência anterior dele como proprietário de uma escola de aviação em Roraima além das duas companhias aéreas taxi aéreo que gerenciava. O juiz considerou Rodrigo como responsável logístico pela operação através do uso aéreo no garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.
Empresa associada a um parceiro antigo
No mesmo rancho também está registrada outra companhia vinculada a Cataratas: a Cargo Flow. Esta possui como diretores tanto Marcos Felix Ribeiro quanto Marcel Anderson Coelho Carvalho — um roraimense que trabalhou com Cataratas em várias ocasiões ligadas à extração ilegal na terra Yanomami.
Fundada em março de 2025 na cidade São Petersburgo na Flórida, essa empresa é licenciada para transporte comercial interestadual nos EUA. Notavelmente, o endereço utilizado para correspondência da Cargo Flow é o mesmo apartamento situado no Sole Mia.
Conforme informações disponíveis no site da Cargo Flow, ela realiza entregas tanto varejistas quanto atacadistas e faz encaminhamentos “do porto ao depósito”, além da entrega especializada para peças usadas na indústria aeronáutica. “Nosso objetivo é otimizar logística para permitir que nossos clientes concentrem esforços no seu trabalho principal enquanto cuidamos dos aspectos críticos das cadeias produtivas”, diz a descrição no portal.
Apesar disso, Marcel Anderson Carvalho não se apresenta como empresário; ele é piloto profissional contratado viajando para lugares como Dubai ou Califórnia.
Contudo, segundo investigações do MPF em Roraima, Carvalho também estaria envolvido nas atividades ilegais lideradas por Cataratas na extração mineral dentro das terras indígenas.
O roraimense mantém um canal no YouTube intitulado “Marcel the Pilot” onde narra sua trajetória desde estudante até piloto qualificado.
Embora não haja informações detalhadas sobre suas atividades comerciais na Flórida atualmente, as apurações realizadas pela Agência Pública junto ao ICIJ revelaram que Marcel esteve hospedado no apartamento localizado no Sole Mia entre maio e agosto do ano anterior — pouco antes da chegada de Ramagem ao mesmo lugar fornecido pela família Martins de Mello.
Marcel começou sua associação profissional com Rodrigo Martins ainda em 2016 quando seu nome constava como funcionário da empresa denominada Cataratas Poços Artesianos Ltda segundo dados do Ministério Público Federal.
Em outubro de 2018 ele foi capturado durante uma operação fluvial realizada pelo Exército Brasileiro nas proximidades do rio Uraricoera dentro do território Yanomami onde atuava mineração clandestina; embora dois outros garimpeiros tenham conseguido escapar naquela ocasião.
Durante seu depoimento à polícia reconheceu ter transportado combustível proveniente do município Amajari (RR) até uma pista clandestina situada na selva.
Naquela oportunidade disse ser “piloto” sem emprego fixo mas havia trabalhado anteriormente para Tarp Taxi Aéreo — outra empresa gerenciada por Cataratas — até cerca dois meses antes daquela detenção.
No helicóptero utilizado nessa operação foram encontrados seis carotes contendo combustíveis cuja capacidade total era equivalente a três centenas litros cada um; esse combustível costuma ser transportado até áreas clandestinas onde ocorrem atividades extrativistas ilegais visando ouro ou cassiterita.
O helicóptero envolvido pertencia formalmente a outro indivíduo mas segundo investigações do MPF era propriedade efetiva Rodrigo Catarina
Tanto Marcel quanto seu pai estão implicados nas ações ilegais dirigidas por Cataratas conforme denúncia feita pelo MPF identificando-os como membros desta organização criminosa dedicada à exploração ilegal das terras indígenas através utilização irregular dos meios aéreo.
Marcel foi indiciado especificamente por transporte ilícito dessas substâncias perigosas sem autorização legal apropriada.
No mês agosto deste ano Rodrigo Martins se tornou réu num novo processo envolvendo venda lavagem comercialização ouro cassiterita oriundos TI Yanomami movimentando montante superior R$200 milhões entre anos 2021-2023.
O esquema contava apoio empresa White Soldier responsável fusão cassiterita vendendo lingotes estanho “esquentados” certificados mercado internacional.
Foi justamente nesse intervalo temporal que as empresas Cargo Flow X One Charters foram criadas Estados Unidos.
A Agência Pública juntamente ICIJ enviaram questionários Rodrigo cataratas questionando se ele teria utilizado recursos provenientes garimpo ilegal adquirir propriedades comerciais imóveis território americano mas não obtiveram resposta alguma sobre isso até agora.
Empresas associadas à família
Casas Luxuosas
O rastro empresarial familiar Rodrigo Martins Mello vem longa data.
Cataratas associado dez endereços estado norte-americano outubro 1997. 2015 adquiriu casa quartos Boca Ratón cidade norte Miami conhecida campos golfe parques praias bonitas. Casa dois andares metros quadrados quintal piscina coberta acesso lago artificial. Valor estimado atual supera R$ milhões dólares propriedade pertenceu Rodrigo sua ex-esposa Marcia Phelipe Martins Mello divórcio casal.
