Segredos Revelados: FBI e suas Impressões na Operação Lava Jato — “Triplo X
O episódio começa com uma análise sobre os diretores da Petrobras envolvidos em acusações de corrupção e as consequências disso para a empresa estatal. Alice entrevista uma fonte que não se comunica com os meios de comunicação há uma década, enquanto áudios vazados entre procuradores oferecem informações sobre a colaboração com os Estados Unidos. Amanda, por sua vez, dialoga com a defesa do presidente Lula para esclarecer o conceito de lawfare.
Dê o play e ouça o episódio 3!
Confira abaixo o roteiro do episódio na íntegra
EPISÓDIO 03: TRIPLO X
[Ricardo Terto]
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Este conteúdo original é fundamentado em eventos reais amplamente conhecidos, documentados em livros publicados, processos judiciais, reportagens jornalísticas, entrevistas e investigações em arquivos públicos. As narrativas podem incluir referências a terceiros e as opiniões expressas são de responsabilidade dos participantes ou especialistas, refletindo diversas perspectivas sobre os acontecimentos.
[material de arquivo]
William Bonner informou que a Polícia Federal realizou a prisão de um ex-diretor da Petrobras na manhã de hoje. Paulo Roberto Costa é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a transações que totalizaram dez bilhões de reais. Durante a operação em sua residência no Rio de Janeiro, foram encontrados 700 mil reais e 200 mil dólares. A polícia declarou que ele estava tentando destruir evidências. Ele cumprirá cinco dias em prisão temporária.
[Natália Viana]
A narrativa oficial da Lava Jato indica que as investigações sobre a Petrobras começaram quase acidentalmente. Ao monitorar conversas entre doleiros, a Polícia Federal descobriu que Alberto Youssef havia presenteado Paulo Roberto Costa com um carro Land Rover Evoque em maio de 2013. Essa doação foi considerada um sinal claro de corrupção ou pelo menos lavagem de dinheiro. No dia em que as investigações deixaram o segredo judicial e se tornaram públicas, em 17 de março de 2014, câmeras internas registraram familiares de Paulo Roberto retirando documentos do escritório onde ele trabalhava como consultor. Três dias depois, ele foi detido por tentativa de destruir provas, marcando assim um novo capítulo na Lava Jato que logo afetaria profundamente o Brasil.
[Vinheta de abertura]
Eu sou Natália Viana, jornalista investigativa e apresentadora da série “Confidencial: as digitais do FBI na Lava Jato”. No primeiro episódio, revelamos evidências concretas sobre como a Polícia Federal brasileira foi cooptada por agências dos EUA nos anos 2000. No segundo episódio, exploramos figuras quase míticas no cenário político brasileiro—os doleiros que deram origem à Operação Lava Jato. Agora, junto com as jornalistas Amanda Audi e Alice Maciel, nos aprofundamos na dinâmica da cooperação entre autoridades brasileiras e americanas e os interesses políticos globais envolvidos nesse processo.
Episódio 03: “Triplo X”
[material de arquivo]
Depoimento Paulo Roberto Costa: Sempre soube que não se chegava à diretoria da Petrobras sem apoio político. Eu ingressei na diretoria em 2004 com suporte do PP.
[Natália Viana]
Esse trecho é parte do testemunho prestado por Paulo Roberto Costa à Justiça no dia 14 de setembro de 2015. Ele foi o primeiro delator da Lava Jato; no entanto, conforme relato feito por um colega seu na cela—o doleiro Carlos Habib Chater—sua delação ocorreu após intensa pressão psicológica descrita como “tortura”. Em seu depoimento detalhou um esquema corrupto dentro da Petrobras onde cerca de 3% dos valores dos contratos eram superfaturados e retornavam para partidos políticos.
[material de arquivo]
Depoimento Paulo Roberto Costa: Os diretores que ingressaram em janeiro de 2003 também contaram com apoio político significativo, principalmente do PT e PMDB. Portanto, era necessário ter suporte político para alcançar essa posição; mérito próprio não era suficiente.
[Natália Viana]
A Lava Jato revelou que a distribuição de cargos na diretoria da Petrobras por partidos políticos foi estruturada pelo deputado José Janene do PP do Paraná. Cada partido indicava seus representantes e esses aliados organizavam contrapartidas.
[material de arquivo]
Depoimento Paulo Roberto Costa: Os partidos políticos apoiavam essas nomeações buscando obter algum interesse financeiro em troca desses apoios. Não era algo exclusivo da Petrobras; já declarei anteriormente que esse sistema existia também em outras instituições governamentais e estatais.
[Natália Viana]
Esse esquema era amplamente conhecido em Brasília—um segredo bem guardado—mas nunca antes tinha sido exposto detalhadamente numa investigação até então. O momento não poderia ser mais oportuno—ou inoportuno dependendo do ponto de vista—já que ocorria simultaneamente a uma disputa comercial intensa após a descoberta do pré-sal.
Acompanhando essa jornada investigativa, sempre recorro aos documentos vazados pelo WikiLeaks para compreender os interesses americanos envolvidos nesse contexto. Desta vez busquei no site provas dos interesses sobre a Petrobras e encontrei seis telegramas enviados pela Embaixada americana entre 2009 e 2010 que descrevem como diplomatas americanos faziam lobby contra uma legislação nacionalista aprovada durante o governo Lula para exploração do pré-sal.
Dentre os documentos confidenciais encontrado está um telegrama datado de 2 dezembro de 2009 onde uma conversa revela que a diretora de relações governamentais da Chevron solicita ao embaixador americano suporte nas negociações com petroleiras americanas. Ela menciona uma “luta árdua” para alterar essa legislação e relata reuniões com figuras proeminentes da oposição como José Serra (PSDB), que prometeu mudar essa lei futuramente mas lamentou a ausência dos membros do seu partido nesse debate.
No despacho o diplomata Dennis W. Hearne complementa:
Efeito sonoro: alerta para leitura de mensagem
[Leitura na voz de Natália Viana]
“A Petrobras está sob investigação no Congresso por práticas fraudulentas — sonegação fiscal e superfaturamento — mas acredita-se que será inocentada das acusações por um comitê senatorial controlado pela coalizão governista”.
[Natália Viana]
Esses documentos demonstram o interesse das empresas petrolíferas americanas em reverter as legislações sobre o pré-sal para obter vantagens econômicas significativas na exploração desse recurso natural—inclusive contando com apoio direto da embaixada americana durante todo o processo.
No entanto esse tipo movimentação já acontecia nos bastidores muito antes da explosão das investigações da Lava Jato.
[p]Paulo Roberto Costa faleceu em 2022 impossibilitando qualquer entrevista com ele agora sendo considerado encerrada essa possibilidade.[Sons aeroporto]
[p]Alice viajou rapidamente ao Rio para tentar obter novas informações dessa história complexa.[Ambiência interna do avião pousando] Aeromoça.: “Chegamos ao Rio Santos Dumont às vinte horas e quarenta minutos.” [Natália Viana]
[p]Porém devido à insegurança decorrente daquela época Nestor optou pela realização online da entrevista mesmo tendo aceitado inicialmente encontrá-los pessoalmente.[Natália Viana]
[p]Nestor Cerveró chegou ao cargo na direção internacional da Petrobras através do apoio político recebido pelo PT e PMDB sendo um dos primeiros alvos investigados pela Lava Jato colaborando posteriormente individualmente com procuradores americanos.[Entrevista Nestor Cerveró]
[p]Cerveró declarou ser totalmente controlado durante sua prisão domiciliar ressaltando ainda que dependia diretamente das decisões tomadas pelos procuradores durante esse período.[Natália Viana]
[p]Os procuradores americanos estavam focados nas práticas corruptivas envolvendo a estatal brasileira mas muitos executivos viam essa colaboração como uma oportunidade visando evitar restrições futuras aos EUA.[Natália Viana]
[p]Alice conduziu diversas entrevistas além disso estabelecendo contato informal com integrantes das equipes jurídicas responsáveis pela defesa dos acusados nessa investigação complexa.[Natália Viana]
[p]Após acessar registros relevantes ela conseguiu desvendar detalhes significativos sobre negociações entre procuradores brasileiros e autoridades americanas.[Alice Maciel]
[p]O objetivo primordial era identificar indícios concretos relacionados aos investigados através das informações obtidas previamente pelos procuradores brasileiros através deste intercâmbio bilateral.[Natália Viana]
[p]A partir daqui vamos explorar nuances desse processo envolvendo Justiça americana Brasileira focadas particularmente nas interações entre autoridades legais estabelecidas durante este período crítico.[Entrevista José Eduardo Cardozo.]
[p]José Eduardo Cardozo descreve momentos cruciais durante sua atuação frente ao Ministério destacando visitas inesperadas realizadas por delegações norte-americanas sem aviso prévio à sua gestão durante esses acontecimentos relacionados à Lava Jato.]
